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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Desejo Proibido

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Sozinho no apartamento, inevitavelmente, o pensamento sugeriu. Esposa e crianças no sítio, ninguém ficaria sabendo. Olhou para o telefone, desviou o olhar, na tentativa de não entrar em tentação. Mas a solidão lhe despertara o desejo; era só ligar e ela viria.

A consciência pesou: seria uma grande traição, mais uma. Até quando a mulher seria indulgente com ele? Por outro lado, quando teria novamente uma oportunidade como aquela?

“Ninguém vai ver, ninguém vai ficar sabendo” – gritou no meio da sala, indo na direção do telefone. Sucumbiu. Ligou pra pizzaria: meia napolitana, meia quatro queijos. Saiu da dieta.  

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

De Volta à Vida

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Depois da tempestade que lhe abatera, assentou-se sobre as sobras, na tentativa de preservar os restos. A devastação das suas estruturas roubou-lhe a coragem. Pensou que o melhor a fazer seria recolher-se, sair de circulação e trancar-se por dentro. Tornou-se súdito do medo. Até que um dia percebeu a insistência do sol que teimosamente tentava entrar por um canto da janela, lacrada por pesadas cortinas que bloqueavam a luz.

A cena fez compreender a metáfora da sua alma, num ímpeto abriu as cortinas e deixou que o sol inundasse o interior do quarto. O gesto lhe devolveu o ânimo, as “cortinas” do seu ser foram abertas e a luz que em todo tempo esteve do lado de fora querendo entrar não encontrou mais resistência e desfez a escuridão. Destemido, liberto de si mesmo, girou a chave, destrancou a porta e saiu da clausura, recuperou o sorriso e voltou a viver. 

sábado, 9 de novembro de 2013

Adeus ISO 9000

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Viveu a vida em função dos resultados. Escravo da busca da excelência: na escola, na faculdade, no trabalho, no sexo, na vida que perdeu a graça... sempre a cobrança de uma perfeita performance. Foi quando olhou pela janela e viu a chuva caindo e a vida passando. Criou coragem, desfez o nó da gravata, descalçou os sapatos, dispensou o elevador. Dez andares escada abaixo, e saiu caminhando na chuva de verão, loucamente livre.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Mais Rápido que Deus

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Geralmente, ele era mais rápido que Deus. Não tinha muita paciência pra esperar, suas ações careciam de reflexões. Mas, (fazer o quê?) esse era o seu jeito: “o campeão de arrancada” deixava Deus sempre pra trás. O chato de tudo é que, invariavelmente, sua velocidade fazia com que quebrasse a cara. Enquanto Deus, na sua sabedoria, pacientemente, aguardava a oportunidade de fazer algo na vida daquele afobado.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Cavalo do Príncipe

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Sonhadora, estava certa de que se casaria com o príncipe encantado. Realista, descobriu em pouco tempo que não se casara com o príncipe, mas com o cavalo do príncipe.

domingo, 10 de julho de 2011

Improvável

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Semanalmente, lá estava ele, com ânimo renovado, fazendo a sua fezinha. Mesmo que, matematicamente, fosse pouco provável, apostava o mínimo, mas apostava, acreditando que um dia ganharia a mega-sena acumulada e a vida mudaria. Poucos recursos, apostas pequenas, mas uma certeza enorme. Dias, semanas e anos se passaram, e ele permaneceu fiel às suas convicções. Até que percebeu que a moça da lotérica era um verdadeiro “prêmio”. Então, deixou de apostar pouco, investiu pesado e tirou a sorte grande... e a vida mudou.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Mera Casualidade

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Ela não conseguiu dormir. Então, aproveitou a insônia e foi ao supermercado 24h comprar gêneros de primeira necessidade, adiantando as tarefas do dia. Ele passou por lá atrás de um Cabernet Sauvignon pra acompanhá-lo na solidão da entediada madrugada. Foi no caixa que se encontraram... duas vezes.

sábado, 2 de julho de 2011

Menino sem Nome

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Sinal fechado. Por entre os carros lá vai o menino sem nome com a mão estendida contando com a misericórdia de impacientes motoristas. Com o olhar triste ele segue: sem casa, sem nome, sem futuro... 

PS: hoje, no Brasil, segundo fontes oficiais, existem mais de duzentas mil crianças de rua, sujeitas a todo tipo de privações e violência, entregues à própria sorte, sem nenhuma perspectiva de vida.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Amor aos Cacos

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Profanou o original. Quis juntar os cacos, colar pedaço a pedaço – pacientemente –, como habilidoso restaurador. Foi então que percebeu sua falta de sensibilidade, quando, novamente, deixou cair, e os pedaços se multiplicaram. Na dor, descobriu que o original profanado não poderia ser recuperado. Largou os cacos no chão e o tempo fez virar pó.