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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Daquilo que Eu era

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Faltaram-me asas,
mas voei sem elas.
Abracei-me à hipótese,
fugi da sedutora certeza.
Entreguei-me ao risco.
Fiz da vida uma surpresa,
segui caminho,
escrevi destino.

O medo
[sagaz adversário],
ladrão de mim mesmo,
no chão ficou.
Virou passado,
na manhã que decidi 
ser dono da minh'alma. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Dantes

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O tempo passa, a vida segue.
Os dias correm –
por entre os dedos escorrem.
Sem perceber, os seguidos segundos
tornam-se minutos,
multiplicam-se em horas,
gerando dias, semanas, meses.
Os anos vão, cabelos brancos vêm.
E o tempo segue voando,
dando a impressão de que foi ontem,
o que há muito já não é.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Conflitante

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Ah, sentimento!
Consentimento do sentir.
Consentir com o sentimento.
Concessão ao que se sente no momento.

Dor que aflora e deflora a alma.
Sentido falso que impressiona o coração.
Autoengano desastroso,
desespero sem razão.

Mas, se hoje choro, amanhã eu posso rir
do que ontem foi tormento,
mas era apenas sentimento.

Dor que passa,
que foi,
que não é mais.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Amor Tecido Em Versos

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Na dor, adormeceu o amor.
Amorteceu o sentimento
do poeta sem tento.
Entregue ao amor que foi
[sem ter sido],
amortecido foi, na dor.
A dor do amor tecido em versos,
sonho invertido: reverso.
Lágrima rolada, página virada.
Desejo minguante, atenuante da dor.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A Palavra

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A pá
A pá lavra
A palavra lavra a alma 
[livra a alma]
Alma lavrada na palavra
Palavra: pá que fura e fere
Extrai o pedregulho
Orgulho que endurece a alma
Sulca a terra,
amolece, afofa e acalma
Lavra a sentença, emite o decreto
Renova e restaura
É pá que lavra, 
é palavra

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A Hora Passada

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A vida cobra,
o tempo pune.
A hora passada riu de mim –
inclemente deboche,
de quem sabe
que não posso mais tê-la.

Nela me perdi:
receio de fazer,
medo de arriscar,
grades da timidez.

Sem que visse, fugiu.
Enquanto pensava, escapou.
Ficou a dor
de quem não sabe a hora,
de quem perde o agora,
e vive no [eterno] amanhã.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Carolinas e Janelas

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“Eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela, só Carolina não viu”. 
Chico Buarque
  
Fazia da fantasia,
jeito de amar.
Castelos e príncipes,
donos do sonho.
Guache no papel sem brilho.
O que não era jamais seria,
e o que foi, seria o mesmo.
Mas, sonhadora,
no engano se iludia,
jurando que um dia,
assim seria,
do jeito que sonhara.

E o tempo passou na janela...

sábado, 26 de outubro de 2013

Dizeres

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Dizeres,
saberes de quem diz.
Do dizer que,
sem ser,
faz parecer.
Hábil falar.
Ilude, inflama,
acende a chama.
Depois vai embora
[em silêncio],
como se nada fora dito.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Seguir em Frente

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Da dor a poesia.
Manto que cobre a alma,
santo bálsamo que restaura
a força que se foi.
Diante do imponderável
[longe do razoável],
a certeza sem fatos.
Onde nada se explica,
é lá que se aplica a fé.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Melhor

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É a sorte quando forte sou -
morte do que queria me matar.
O corte que sangrou,
cicatriz se fez.
Obra do tempo
[quando o lamento deixa de ser prisão].

E a vida, inda que sofrida,
faz do pranto manto de cura.
No correr do tempo,
o sopro do vento a lágrima enxuga
[a alma expurga],
e me faz melhor.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Limiar

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Quero a alegria de ouvir Tua voz,
e o prazer de Te obedecer.
Caráter de quem é de fato,
muito mais que um ato,
de quem só parece ser,
e se contenta com opinião alheia.
Mais que vida aparente,
vida consistente.
Base sólida: a Cruz.
Diária negação de mim mesmo,
das vontades que me povoam.
Morte de quem sou,
na afirmação de quem Tu és.

Não quero a ação impressionante,
quero o amor edificante.

Não quero a fama que faz fãs,
quero a Cruz que faz discípulos.
Não quero palcos e plateias
– fugaz prazer dos aplausos.
Quero o melhor lugar
– o Teu Altar –,
o quebrantamento que lá me leva
[me tira do pó e me eleva]
desfrutar da sua Glória,
me faz ser o que eu não era,
e me livra de quem sou.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Andarilho

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Sem trilho.
No sonho, na alma:
andarilho.
Sigo sem ver –
crer é preciso.
Sigo sendo.
Sigo crendo,
mesmo não tendo.
Fazendo história...
minha memória.
Tecendo palavras,
imprimo meu passo,
deixo meu rastro...
meu lastro.

sábado, 16 de julho de 2011

Olhos Verdes

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Fugir, sem chance.
Imprudente, fiquei ao alcance
dos seus olhos verdes.
Anzol, gancho que prende, rede.

O que será de mim?
Meu destino é viver prisioneiro,
me entregar inteiro,
ir até o fim?

Sim, olhos verdes
que despertam a sede,
que me dão fome de amor.

Me rendo,  me entrego
feito abelha e flor,
como num voo cego.

terça-feira, 12 de julho de 2011

A próxima Estrada

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Lentamente, deslizando no peito,
– sob o efeito da dor,
descaminhos da alma,
que perdida se entrega ao fel –
lembranças conduzidas,
sorvem o amargo.

Delirante rumo,
até que se decida,
na próxima saída,
desvio para nova estrada.


quarta-feira, 6 de julho de 2011

Desde que Seja Hoje

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Ainda que esteja perto,
o amanhã é incerto.
E se ele não vier, quero a paz da consciência
de que não houve negligência,
e o que tinha que ser feito
[mesmo longe do perfeito], feito foi.

Vida, mais que eterno ensaio –
planos perfeitos que moram no papel,
idealizado céu que nunca vem,
sempre mais além.

Que o pretenso capricho da arte final,
afinal aconteça.
Vida traduzida na coragem de ser,
que paga pra ver, sem ter medo de chorar.

Se pra amanhã ficar,
e o que ficou ficar sem tempo de ser,
o ser que poderia, mas não foi,
cobrará por uma eternidade.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Hipnótico

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Ah, os olhos dela!

Olhar que acorrenta,
faz de mim fera domada.
Adestra a alma,
meu querer se torna nada.
Minha boca só diz sim,
assim o olhar me fez,
desfez duro coração,
na paixão que se fez laço.
E agora,
o que é que eu faço?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Endereço da Minha Alma

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Virgílio Carderelli, 105.
Foi lá que aprendi a sentir
Infância que define, e lá vivi
Endereço que, mesmo não sendo mais meu,
gravou na minha alma a sua morada,
fez de mim destinatário e remetente
daquilo que foi, e insiste ser ,
que passou, mas continua sendo.

Virgílio Carderelli, 105.
Foi lá que aprendi a sentir
Endereço que, mesmo não sendo mais meu,
mandou pra vida a carta que sou,
e mesmo não estando mais lá,
continua sendo o endereço de onde envio e recebo
as cartas que contam minha história –
infância que abriu os caminhos da minha alma.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Céu é Maior

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O paraíso era certo
quando acordei no deserto,
sem nada entender.
Boca seca,
sede de vida intensa,
o instinto impera,  
a cabeça não pensa.
O mundo dá volta
na revolta da alma
que, cega, não vê.
E na falta da calma
segue cega sem ver
o céu do deserto,
imenso e tão perto.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A Alegria do Ser

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Ainda que não dure,
deixe que o tempo cure.
Ainda que adoeça,
deixe que aconteça.

Sem o receio do que possa ser.
Creia que a solidão da noite
se desfaz no amanhecer,
abrandando a dor do açoite.

Golpe que abre feridas e faz sangrar.
Que marca a vida, mas não consegue roubar
a paixão de viver.

Da vida que se renova,
que se fortalece a cada prova,
que mesmo sem ter, se alegra no ser.